O CONSEC promoveu, em 22 de abril, o webinário “Inteligência Artificial e Aprendizagem Criativa”, reunindo gestores públicos e especialistas para debater os impactos, desafios e possibilidades do uso da IA nas redes públicas de educação. O encontro integrou a agenda do Conselho de apoiar as capitais na construção de políticas educacionais voltadas à inovação, à formação docente e ao uso responsável da inteligência artificial nas redes de ensino.
Débora Garofalo, professora e consultora educacional eleita a professora mais influente do mundo pela Varkey Foundation, destacou que o debate sobre IA na educação precisa estar conectado às reais necessidades das redes de ensino, e não apenas ao avanço acelerado das tecnologias. A educadora chamou atenção para a importância da intencionalidade pedagógica no uso da inteligência artificial e alertou que a tecnologia, isoladamente, não resolve problemas estruturais da educação.
“A revolução tecnológica chegou muito antes de qualquer orientação. O problema não é a tecnologia, é a ausência de intencionalidade pedagógica. Sem mediação, a inteligência artificial pode reduzir o esforço cognitivo; com mediação, pode ampliá-lo. A IA já chegou, mas a orientação ainda não”, afirmou.
Para Garofalo, a inteligência artificial deve atuar como ferramenta de apoio à aprendizagem, sem substituir a mediação pedagógica, a criatividade, o pensamento crítico e as relações humanas no ambiente escolar.
Giselle Santos, especialista em inovação e educação e apresentadora do programa Assunto na Mesa – Inteligência Artificial, do Canal Futura, defendeu que o debate sobre IA nas escolas precisa ir além das ferramentas e considerar governança, participação pública, linguagem acessível e proteção de direitos.
Ela chamou atenção para a velocidade do avanço tecnológico diante da dificuldade de acompanhamento por parte das redes, das famílias e dos formuladores de políticas públicas. “Para que a IA funcione na educação, é preciso reconhecer que existe uma camada anterior de escolha e de protocolos. Não basta lidar com os problemas depois”, afirmou. Para ela é preciso contar aos estudantes que inteligência artificial é matemática. “E, para escrever um bom prompt, é preciso saber escrever uma boa instrução, um bom comando.”