A convite do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o CONSEC participou, entre os dias 29 de junho e 1º de julho, de uma missão técnica em Seul, na Coreia do Sul. O objetivo do encontro foi compreender de perto os fatores que fizeram do país asiático uma referência mundial em educação – e um dos que mais avançam na aplicação da inteligência artificial (IA) em sala de aula.
Integraram a comitiva Leonardo Pascoal, presidente do CONSEC e secretário de Educação de Porto Alegre, e Henrique Pimentel, diretor institucional do Conselho. Ao longo de três dias de atividades, os representantes visitaram escolas e agências públicas de educação, participaram de uma conferência internacional sobre inteligência artificial na educação e conversaram com empresas que desenvolvem tecnologias educacionais utilizadas na rede pública coreana.
Décadas de investimento antes da IA
Um dos principais aprendizados da missão é que a atual liderança coreana na aplicação de inteligência artificial na educação não é fruto de um movimento recente. A Coreia do Sul investe há décadas em conectividade de ponta, formação continuada de professores e governança de dados — pilares que sustentam, hoje, a transformação digital do sistema educacional coreano e que antecedem, em muito, a chegada da IA às escolas.
Entre os resultados apresentados à delegação, destacam-se:
- Desde 1996, todas as escolas do país contam com internet dedicada exclusivamente à educação. Atualmente, o padrão nacional é de 1 Gbps, e mais de 4 mil escolas já operam com conexões de 10 Gbps.
- Entre 2024 e 2026, o governo coreano destinou US$ 740 milhões para capacitar professores em competências digitais e em inteligência artificial, com a meta de formar 100% do corpo docente até o final deste ano.
- O país opera sistemas nacionais integrados que permitem acompanhar, em tempo real, frequência escolar, desempenho dos estudantes e demais indicadores educacionais, sustentando decisões de política pública baseadas em evidências em todo o território coreano.
Uma agenda articulada entre Estado e mercado
Durante a missão, a delegação também conheceu iniciativas do setor privado que compõem esse ecossistema, com empresas de tecnologia educacional oferecendo desde livros didáticos digitais com inteligência artificial até plataformas de personalização do ensino, robótica educacional e ferramentas de apoio socioemocional – muitas delas desenvolvidas em articulação direta com o Ministério da Educação coreano.
Essa integração entre políticas públicas e inovação privada é apontada como um dos diferenciais do modelo coreano, ao lado da infraestrutura de conectividade e da formação continuada de professores.
O aprendizado para as capitais brasileiras
Para o CONSEC, a experiência em Seul reforça um ponto central: tecnologia só transforma a educação quando vem acompanhada de planejamento, infraestrutura e investimento em pessoas. Mais do que reproduzir soluções tecnológicas específicas, a missão à Coreia do Sul oferece referências concretas de política pública às capitais brasileiras – especialmente no que diz respeito à governança da transformação digital, à conectividade escolar e à valorização e formação continuada dos professores como condição para o uso pedagógico efetivo da tecnologia.